A primeira semana define o tom de tudo: é quando o filhote descobre se o mundo novo é seguro, e quando a família descobre se combinou as regras (spoiler: quase nunca combinou). Este é o roteiro dos 7 primeiros dias — menos Instagram, mais fundação. E começa antes dele chegar.
Véspera: casa preparada (já contamos como no guia de preparação — rampas, fios escondidos, plantas fora de alcance, cantinho definido com caminha, água e tapete higiênico) e, tão importante quanto: a REUNIÃO de família. Pode na cama ou não? Qual palavra de interrupção? Quem alimenta? Filhote que recebe cinco regras diferentes aprende uma só coisa: insistir funciona. Dez minutos de acordo poupam meses de retrabalho.
Dia da chegada: viagem calma (caixa de transporte forrada, sem colo solto no banco), e chegando, direto ao ponto do xixi — se acertar, primeira festa da nova vida. Depois, apresente o cantinho dele e deixe explorar no ritmo próprio. E o conselho que ninguém segue e todos deveriam: ADIE o desfile de parentes e vizinhos. Os primeiros dias são pra ele mapear a casa e as pessoas DELA; o resto do fã-clube pode esperar uma semana.
As noites — a parte que ninguém romantiza: é a primeira vez dele longe da mãe e dos irmãos, e o choro noturno é saudade legítima, não manha. O kit que ajuda: caminha aconchegante PERTO de onde você dorme nos primeiros dias (a presença acalma; depois, se o plano for outro cômodo, afaste gradualmente), algo com cheiro da ninhada se o criador forneceu, e um xixi garantido logo antes de dormir. Choro de ajeitamento, espere passar; choro de pânico crescente, acalme com presença calma — sem acender a festa das 3h da manhã.
Rotina desde o dia 1: comida, xixi, soneca e brincadeira em horários regulares. Previsibilidade é o idioma da segurança pra um cérebro filhote — e de quebra alimenta o treino de banheiro, que depende da agenda (o guia de xixi explica o método). Na alimentação, regra de ouro da semana 1: MANTENHA a ração que ele já comia. Mudança de casa já é revolução suficiente; troca de comida, se desejada, vem depois e gradual.
A socialização já começou — dentro de casa: sons do cotidiano em volume natural (aspirador ao longe, liquidificador, campainha), superfícies diferentes, manuseio diário gentil (pata, orelha, boca — com petisco), e a caixa de transporte apresentada como toca boa, não como prisão de ida ao vet. A janela de socialização está aberta e correndo (temos um guia só sobre ela) — a primeira semana é o aquecimento seguro.
Agende a primeira consulta pra essa semana, mesmo que ele pareça perfeito: check-up geral, plano de vacinas e vermífugo, microchip — e a estreia da missão 'vet é lugar bom' (petisco na recepção, colo, zero pressa). Enquanto isso, observe os básicos diários: comendo com vontade, fezes firmes, energia de filhote (explosões + sonecas longas — MUITAS sonecas; até 20 horas por dia é o normal da idade).
Ajuste a sua expectativa e a da família: vai ter acidente de xixi (agenda, não bronca), vai ter mordidinha (redirecionamento, não grito), vai ter noite ruim. Nenhum desses é sinal de filhote 'difícil' — é sinal de filhote. O que você está construindo nos 7 primeiros dias não é obediência; é a confiança de que esse mundo novo é seguro e tem rotina. O resto se ensina em cima dela.
Quando ir ao vet: na primeira semana, pra consulta inaugural — e ANTES disso se houver recusa total de comida por mais de um dia, diarreia persistente ou com sangue, vômitos repetidos, apatia (filhote que não brinca nem após descanso) ou qualquer coisa que te deixe genuinamente aflito. Filhote pequeno desidrata rápido; na dúvida, ligue.
Isto é informação geral — quem avalia e decide é o veterinário do seu cão. Na dúvida, consulte sempre.