O home office parece o paraíso do cachorro — tutor em casa o dia inteiro! — mas criou um efeito colateral silencioso: o cão-sombra, que segue você até o banheiro, não sabe mais ficar num cômodo sozinho e desaba quando a rotina muda (uma viagem, uma volta ao presencial). Companhia constante sem independência é uma fragilidade disfarçada de vínculo.
A correção é doce: criar momentos de separação DENTRO da rotina de casa. O tapete dele no cômodo ao lado do seu escritório, com um mastigável ou tapete de lamber, e a porta encostada por vinte minutos. O comando "vai pro tapete" durante suas reuniões, com recompensa por permanecer. Idas ao mercado sem cerimônia. O objetivo é que a sua presença em casa não signifique acesso ininterrupto a você — porque é essa expectativa que quebra quando a vida muda.
E estruture o dia dele como se você não estivesse: o jogo de faro de manhã, o passeio nos mesmos horários, o período de descanso em que ninguém interage (inclusive você — resistir à fofura no meio da tarde é parte do treino). Um salsicha pleno com agenda própria dorme melhor, incomoda menos nas suas calls e atravessa mudanças de rotina sem drama. Presença de qualidade nos momentos certos vale mais que disponibilidade infinita — pra eles e, cá entre nós, pra gente também.