Um filhote precisa de dezesseis a dezoito horas de sono por dia — e quase nenhum consegue por conta própria num apartamento cheio de vida. O resultado é um fenômeno que engana todo tutor de primeira viagem: o filhote possuído do fim de tarde, mordendo tudo, correndo em círculos, aparentemente cheio de energia. Nove em dez vezes, aquilo não é excesso de energia — é exaustão. Filhote cansado demais não desliga sozinho; acelera.
A solução é contraintuitiva: menos estímulo, não mais. Institua as sonecas de ofício — depois de cada bloco de brincadeira ou passeio, o filhote vai pro cantinho dele (o cercadinho com a caminha) pra uma soneca, mesmo que reclame por dois minutos antes de apagar. A conta do dia de um filhote saudável alterna blocos curtos de atividade com blocos longos de sono: brincou meia hora, dorme uma e meia. Se a casa tem crianças, essa regra vale ouro em dobro — filhote não é brinquedo de bateria infinita, e ensinar as crianças a respeitar o sono dele é parte da educação de todo mundo.
Proteja especialmente dois sonos: as sonecas diurnas no cantinho (com a casa funcionando ao redor em volume normal — ele precisa aprender a dormir com a vida acontecendo, isso é treino pra vida de apartamento) e a noite, com o ritual mínimo que já começa a valer nessa idade: última refeição, último xixi, luz baixa, cantinho. Um filhote que dorme o que precisa morde menos, aprende mais rápido e cresce mais equilibrado — o sono é o adestrador silencioso que trabalha de graça enquanto todo mundo descansa.