Apartamento e filhote de salsicha: um espaço finito contra uma energia que parece infinita. A tentação é achar que espaço pequeno condena o filhote ao sedentarismo ou o tutor ao caos — nenhum dos dois. Energia de filhote se gasta em qualidade de atividade, não em metragem, e o apartamento tem tudo que precisa: chão.
O circuito indoor da manhã: começa com o busca rasteirinho no corredor (bolinha ROLANDO, nunca voando — três a cinco idas e voltas), emenda no cabo de guerra baixinho com mordedor comprido (tração horizontal, na altura do focinho dele), e fecha com o jogo de faro que desacelera (petiscos escondidos pelo cômodo, no nível do chão). Quinze minutos, e o furacão vira brisa. À tarde ou à noite, uma segunda rodada menor. O segredo é a ordem: agitação primeiro, faro por último — o faro é o botão de desligar.
As regras de sempre valem em dobro no apartamento: piso liso é inimigo (tapete ou passadeira na área da brincadeira, senão a freada vira derrapagem), sofá e cama seguem sendo território sem salto, e a escada do prédio nem entra na conversa — colo ou elevador. E cuidado com o excesso, que em filhote é fácil: quando ele começar a errar movimentos ou se jogar ofegante, acabou — filhote empolgado não tem botão de parar, o botão é você. Espaço pequeno com programa bom cria um salsicha mais tranquilo que quintal grande com tédio.