Você chega em casa, a almofada virou neve e a cara dele parece culpa. Não é: cachorro não destrói por vingança, e aquela cara é só a leitura da SUA tensão. Destruição em adulto jovem é quase sempre um recado com três remetentes possíveis — e cada um pede uma resposta diferente.
Remetente um: energia sobrando. Salsicha jovem sem gasto físico e mental adequado é uma mola comprimida; a mola solta em cima do que estiver por perto. A resposta é a mais simples: mais passeio, mais jogo de faro, mais trabalho pela comida — destruição por energia despenca quando o dia tem programa. Remetente dois: mastigação legítima sem alvo certo. Mastigar é necessidade canina, não defeito; se não há mastigável disponível e interessante, o pé da mesa se candidata. A resposta é oferecer alvos melhores e tornar os proibidos sem graça (gerenciamento: porta fechada, amargante seguro onde couber). Remetente três: angústia de ficar só. Se a destruição mira portas e janelas, vem com choro e acontece logo após a sua saída, não é tédio — é pânico, e o caminho é o trabalho de ausência gradual, com ajuda profissional se estiver intenso.
O que não funciona (e piora): bronca ao chegar. Horas depois do fato, ele não conecta a bronca à almofada — conecta à sua chegada, e chegada que assusta alimenta justamente a ansiedade. Investigue o remetente, responda à causa, e o bilhete para de chegar.